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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vento...

Este texto é da série "Palavras colhidas em um interior perdido..."

Hoje, no calor da manhã, o vento veio me visitar
Inesperadamente, trouxe-me boas notícias
Em um só sopro me contou que o tempo não mais existia
E então senti que aquele momento era o mais precioso.

Ao ver minha surpresa, o vento se intensificou e me afagou
E cai em seus fortes braços
Deixando-me reconfortar em seu longo abraço
E então senti que, naquele instante, o que era ruim ficou para trás.

De repente, o vento silenciou-se e estremeci
Onde estava o amigo vento? Tinha o tempo voltado a existir?
Foi aí que o vi ali, bem pertinho
Balançando as folhas em uma canção só pra mim.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Novos tempos

Eu não poderia deixar de escrever no dia de hoje.
Ano Novo, meu aniversário.
Com 365 dias no ano pra eu nascer, eu escolhi logo o primeiro.
E posso te garantir que é um momento de reflexões multiplicadas.
Mas talvez seja eu que pense demais na vida, no passado, no futuro..

Só quero esperar de 2010 com 24 anos recém-completos
que eu cresça mais
que eu aprenda mais
que eu ame mais
que eu experimente mais
que eu me dedique mais
que eu conheça mais
que eu acredite mais
que eu viva mais
enfim, que eu seja uma pessoa melhor, em todos os sentidos.

Brevemente farei uma retrospectiva 2009.
Hoje, quero apenas que chegue amanhã.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quero saber bem mais que meus 20 e poucos anos...

Ontem eu era uma garotinha que andava de velotrol por ruas seguras.
Hoje ando entre desconhecidos pelas avenidas inseguras.

Ontem eu fazia contas de somar, dimunuir, multiplicar e dividir.
Hoje as contas se transformaram em juros e encargos financeiros.

Ontem minha maior responsabilidade era tirar boas notas na escola.
Hoje a vida me impõe um apanhado de tarefas exclusivas.

Ontem me perguntavam o que eu ia ser quando crescer.
Hoje me perguntam o que eu vou fazer da vida depois de ter crescido.

Ontem eu brincava de "Alerta" na rua até altas horas.
Hoje eu fico pra rua até o sol raiar.

Ontem eu estudava pra passar no vestibular.
Hoje eu tenho até um diploma.

Ontem eu era a filhinha do papai.
Hoje eu sou a filha independente.

Ontem não havia preocupações.
Hoje são tantas que eu nem conseguiria enumerá-las.

Ontem rugas eram coisas bem distantes.
Hoje o reflexo que eu vejo no espelho já mostra que elas chegam.

Ontem eu tinha 5,9,15, 18 anos.
Hoje quase 24.

O tempo é mesmo, implacável.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Medos..

Minha atual leitura esta sendo Markus Zusak, A Menina Que Roubava Livros.
Conta a história de uma menina que, obviamente, roubava livros. Só que o intrigante mesmo é o narrador. A Morte.
Enfim, não vim aqui falar do livro, mas de qualquer forma, indico a leitura, inusitada, no mínimo.

Como estou lidando com a Morte todos os dias, em minha leitura, peguei-me divagando se tinha medo de morrer. O que implicou em me perguntar quais são os meus maiores medos.
E confesso que não foi tão fácil resporder a esta, que parece uma simples pergunta.

Acredito que meu maior medo, que parece ser intrínseco, é da decepção.
Nunca soube lidar com a decepção e não consigo lembrar de onde vem este trauma. Sinto que é um fardo que eu trouxe da minha mais recente encarnação.
Só sei que, nunca esperar nada de ninguém está diretamente ligado ao meu medo de me decepcionar.
Ah, vale dizer que também tenho medo de ser uma decepção. Para quem? A mim mesma, a priori.

Meu segundo maior medo é de perder as pessoas queridas. Isto me aflige diretamente.
Não saberia viver sem amigos, pais e afins. Sou muito apegada às pessoas que me cercam, sempre foi assim.
Por isso, na maioria do tempo sou saudosista. Sinto saudade de quem acabei de ver. Por isso, minhas amizades são pra sempre.

Meu terceito medo é do futuro.
Gosto de ter o controle sobre tudo que me convém, porém, o futuro se perde.
Tento burlar aqui e ali, mas gotas dele sempre escapam por entre meus dedos.
Tenho medo do que serei, do que virá, de como será, dos sonhos que não realizarei. Mas como assim, se pretendo realizar todos eles?

E se acabo pensando demais no futuro, esqueço-me do presente.
É.... eu tenho medo de me preocupar demasiadamente com o que está por vir e ver o presente esvair-se.
Mas, voltando a pergunta inicial, a do medo da Morte. A minha resposta é não. Não tenho medo de morrer. Não é o que desejo, mas é inevitável a todos.

E você.... já pensou em quais são seus medos?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eu não poderia dizer..

Quem diria... que o tempo ia passar tão rápido?
Que aquela menininha ia crescer?
Que a vida mudaria assim, tão insustentavelmente pesada?

Quem diria... que eu ia me formar?
Que eu lutaria pelos meus sonhos?
Que eu não desistiria?
Seguindo sempre em frente.

Quem diria... que eu ia acreditar?
Que eu ia arriscar?
Que eu ia estar... aí, aqui, ali, cá, acolá.
Mesmo sem saber ao certo, onde é meu lugar.

Quem diria... que os 24 anos chegariam?
Que eu ia não temer, temendo?
Que eu, mesmo querendo saber de tudo, não saberia de nada?
Quem diria... que eu iria me apaixonar?

Quem diria?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Esquecimentos

Havia esquecido que o céu é azul.
Que o sol brilha incessante e ofuscante.
Que a lua aparece em fases, cheia e amarela, negra e misteriosa.

Havia esquecido o cheiro da chuva, numa tarde de verão.
Do gosto da água salgada, numa manhã de praia.
Do arrepio da brisa fria que prenuncia o inverno.

Havia esquecido que as pessoas são frágeis.
Alegres, confusas, complexas, perplexas, ambíguas e contraditórias.
E que nenhuma delas será exatamente da maneira que desejo.

Havia esquecido que laços familiares são eternos.
Que amigos vão e voltam, mas que os de verdade permanecem.
Que as experiências transformam-me, mas a essência é perpétua.

Havia esquecido que nem tudo sai da forma como imaginava que seria.
De que nem tudo está sob meu controle.
E que a tolerância e a paciência são virtudes a serem cultivadas dentro de mim.

E por falar em controle..
Havia esquecido que somos feitos também de sentimentos, e não só de pura razão.
E que nem sempre estes, são controláveis.
E que a felicidade aflora nos momentos mais singelos.

Havia esquecido que as verdades são relativas.
As crenças subjetivas.
E a vida, objetiva.

Havia negligenciado-me a ponto de esquecer o que é ser, o que é viver.
E viver é um rol de verbos das mais diferentes espécies e formas.

Por sorte, tenho a chance de recordar o que foi esquecido.
Poder selecionar o que há de melhor entre tantos verbos, e transformá-los em ação.
Sonhar, sorrir, amar, sentir, acreditar, beijar, lutar, aventurar, alegrar, compartilhar, conversar, aprender, doar, conhecer.
Criar, saber.... viver.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O fim do começo.. ou o começo do fim.

O que é o final? O térmico? O firmamento?
Definitivamente o final é algo subjetivo, totalmente relativo.

Quem já não ficou feliz com o fim de semana?
Ou triste com o fim de um namoro?

Entusiasmado com o final do mês, significando salário próximo,
Ou desanimado com o final das férias?

São tantos finais que, às vezes, nem nos damos conta:
Fim do relacionamento,
Fim do dia,
Fim do expediente,
Fim do semestre,
Fim do ano,
Fim da amizade,
Fim da bateria,
Fim de papo,
Fim da festa,
Fim do jogo... game over.

Enfim... (com o perdão do trocadilho)
Quando algo se acaba, por vezes nos pegamos em dúvida, com uma certa insegurança.

Mas como a vida é ambígua e irônica!
A certeza que o final nos traz, é a leveza de um começo por vir...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Parece..mas não é.

Pode parecer uma bobeira do cotidiano... mas de certa forma marcou este domingo que não sabe se quer ser chuvoso ou ensolarado.

Hora do almoço, volto do supermercado.
Espero o elevador na portaria do prédio.
Mais 2 mulheres chegam. Às vezes, com uma delas, troco aquelas típicas palavras de elevador: "Tá calor hoje né?", "Como vai a família?", entre outras que você deve conhecer.

Dentro do elevador é aquele clima constrangedor, mas este assunto merece um post a parte.
Fica pra outro dia. Olha o foco Samanta.

Então, no elevador a senhora me pergunta:
- Tudo bem com você, mocinha?
Pausa dramática. Sério, pareceu uma eternidade. Acho que pensei em centenas de coisas durante esse tempo. Até que respondi involuntariamente:
- Ah, tô bem sim.

E voltamos para o silêncio constrangedor do elavador. E dentro de mim um silêncio inquieto.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um lugar, ao longe...

Mais um ano de indas e vindas, começo agora já o sexto.
Com 18 anos recém completados mudei para Campinas e deixei lá em meio as serras das Minas Gerais, minha cidade natal.
Cidade pequenina, provinciana. A igreja, a praça, a sorveteria, o lanche, o clube...

Vou para lá passar este último final de semana. Avistando a cidade ao longe, tenho a sensação de não pertencer àquele lugar. De que ele faz parte de memórias longíncuas.
Tento dispersar o sentimento, Afinal, lá nasci e cresci.

Já em casa, durante o preparo do almoço, minha mãe pergunta:
- É tão bom pegar manga direto do pé e chupar ali mesmo né?
(Sair atrás de um pé de mangas e voltar com dezenas delas é algo que meus pais fazem desde que me dou por gente).
Respondo:
- Nunca gostei mãe.
(Quando era pequena às vezes os acompanhava. Mas nunca gostei daquelas mangas que não davam para cortar com a faca, quanto menos de andar no meio do mato colhendo-as).
Minha mãe:
- Eu adoro. Você não gosta dessas coisas, você é urbana.

Não pensei nas palavras dela naquele momento. Nem no que elas podem significar. Eu ser mais inclinada ao urbano chega até a ser um truísmo.

Mais tarde saimos para alugar um filme.
Na rua me encontro com lugares que fizeram parte da minha infância e adolescência.
A casa onde passei uma festa de ano novo, outra onde morou a minha primeira paixão. Me lembro que quando voltava da escola mudava o trajeto só para passar em frente a casa, e quem sabe encontrá-lo.
A esquina que era ponto de encontro de amigos, a padaria, o ipê amarelo, o mercado, aquela casa que me metia medo quando era criança, o banco em baixo de uma árvore, a antiga escola, tantas casas de pessoas que eram conhecidas...
Todos estes lugares ali, indiferentes as minhas lembranças, ao tempo.

De volta a minha casa, entro no meu quarto e olho pela janela.
Mais recordações. Amigos. Vizinhos. Brincadeiras. Uma pipa. Molecagens. Esconde-esconde. Escapadas. Tombos. Fofocas. Brigas. Risadas. Conversas na madrugada. A Lua. Estrelas. Violão. Uma música. Amores. Lágrimas. Declarações. Decepções. Beijos. Visitas. Segredos. Surpresas.

Me pego com se ouvisse através do tempo:
- Sááááá! Vem embora já menina! Perdeu o rumo de casa?, grita minha mãe, irritada.
Ou quem sabe:
- "Sááá, você tá aí? Vamos lá em casa brincar", a amiga vizinha, que hoje está casada e com 3 filhos.
Posso ouvir também o barulho do caminhão que anunciava que meu pai chegava de viagem.E depois de crescida, a buzina dos carros dos meus amigos me buscando pra sair.

Me pergunto o porquê da nostalgia. Vêm a mente as poucas palavras de minha mãe: "Você é urbana".

Tento recordar quais eram meus sentimentos antigamente. O que encontro é um desejo inato de viver, conhecer, sonhar, fazer coisas maiores que aquela cidade pequena não me permitiria. É por isto que me sinto como se não fizesse mais parte daquele lugar?

Hora de ir embora pra casa, para a outra casa, a da cidade grande.
Olhando os prédios, a correria, a multidão, o trânsito, penso com meus botões.

Não pertenço acolá, tão menos cá.
Na verdade, nem a este mundo devo pertencer. Estou aqui só a passeio...