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segunda-feira, 31 de maio de 2010

AJIRemos...

Este post é para despejar e expressar toda a minha indignação sobre o que está sendo feito do Jornalismo e dos jornalistas desse meu Brasil desregulado.

Vamos dizer que tudo começou quando nosso caríssimo presidente do STF Gilmar Mendes, derrubou a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, comparando jornalista a cozinheiro. Pra quem não se lembra: "Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão. Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima exigirmos que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área."
Ah que palavras lindas, não é? Então quer dizer que alguns profissionais diplomados abusam e que o Jornalismo é uma bagunça! Então a solução é dar respaldo para que o abuso seja praticado por qualquer um!! Eba!! Vamos abusar gente, tá liberada a patifaria!

Conseqüências?
Para o Ministro, nenhuma. Para os donos do Jornalismo no Brasil, porcos capitalistas, tão pouco. Se mascaram atrás da luta pela liberdade de expressão, esbravejam por uma pseudo-democracia feita por e para mulas alienadas.
E para nós, seres diplomados em Jornalismo? A certeza de que o que já era ruim ficou ainda pior. Mais concorrência e menos qualidade (ainda).

Mas calma, esse não é o pior problema que me aflige! Estou aqui por conta de uma outra decepção. Abri minha caixa de entrada hoje no finalzinho da tarde e me deparei com o seguinte email de uma Universidade, que prefiro não citar o nome:
Inscrições abertas para a pós-graduação em gestão e produção em Jornalismo. Público-alvo: Profissionais graduados em qualquer área acadêmica que queiram adquirir ou desenvolver conhecimento sobre gestão e produção jornalística.

Para tudo! Que eu tenho certeza que alguém não entendeu o problema! Vamos exemplificar.
Sabe aquela empresa que estava pensando em contratar um assessor de imprensa? Pois é, o dono tem um filho formado em Administração - ou qualquer outro curso esdrúxulo de qualquer faculdadezinha esdrúxula. Então, pra que gastar com a contração de um profissional de comunicação, se seu filhinho querido pode fazer essa pós e atuar como assessor?
Heeeeein? De diploma ele não vai precisar para dizer que é jornalista e experiência ele facilmente poderá provar que tem.

Já que pra ser jornalista basta saber a técnica da escrita jornalística, pra que faculdade? Pra que estudar teoria da comunicação, filosofia, sociologia, ética, semiologia dos meios, estética da comunicação e o caramba a quatro? Bucci, Peirce, Saussure, Adorno, Rossi, Goodwin, Levy? Tudo uma grande perda de tempo!
Abaixo todas as faculdades de jornalismo e que todos os infelizes que estudaram durante 4 anos se ferrem! Os pobres coitados que ainda estão na faculdade então... nem se fale!

Fundo, a partir de hoje, a AJIR - Associação dos Jornalistas Indignados e Revoltados.
Associe-se!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Malandragem..

Era 7 horas da noite de uma sexta-feira santa. Há uma semana pra ser exata. Chuviscava.
Eu esperava o namorado vir me buscar, íamos sair com minhas amigas.
Como sempre fazia, desci no horário combinado e fiquei esperando na rua, em frente a escadaria do meu prédio.
Há pouco o porteiro estava ali na escada, fumando e conversando. Ele subiu, eu fiquei.

Passados alguns minutos de espera, eis que surge um rapaz. Parecia meio perdido. Sentou na escada próximo a mim.
Perguntou onde era a Avenida Brasil (para quem não conhece, esta avenida fica há poucas quadras da minha rua).
Expliquei onde era. Ele perguntou se eu estava esperando um ônibus, eu disse que não.
Houve mais alguma troca de palavras, que eu já não me lembro mais.

Levantou-se e ensaiou um comprimento de mão comigo.
"Toca aí pra aprender a malandragem" disse ele, e desceu a rua.
Após alguns passos, virou-se:
- Eu ia te roubar, mas não roubei porque você foi simpática. Fica esperta que você tá dando "fita" aí.

Fiquei branca, minha respiração parou. Olhava pra ele e nunca mais esquecerei a expressão que tinha aquele rosto.
Subi para a portaria e segundos depois o carro que eu esperava chegou.
Não acreditava no que havia acontecido. Eu, que já havia sido roubada outras vezes... tenho pavor desta situação.

Eu sei... eu deveria tomar mais cuidado. Este mundo é cruel e as pessoas são perversas. Salvo exceções, claro!

Mas de qualquer forma pensei bastante e me pergunto sempre: Ele não me roubou mesmo porque eu fui simpática? Se eu não tivesse respondido nada ele teria me roubado? Se eu tivesse tratado ele como marginal seria roubada? Como ele esperava que eu fosse reagir? Será que ele foi com a minha cara? Será que ele não queria mesmo me roubar? Será que ele teria me roubado se tivesse mesmo afim disso? Porque ele avisou que iria me roubar e depois deu um conselho?

Infelizmente não terei respostas para estas perguntas. A dúvida será uma amiga inquieta no meu subconsciente.
Por hora, vale ficar mais atenta e agradecer pela sorte estar ao meu lado...

domingo, 22 de novembro de 2009

Jingle bell (sai pra lá Noel!)

Olha só o fim de ano chegando.
E confesso que não gosto dessa época.
Ou melhor, quase não gosto.

Motivos:
1 - Meu aniversário é dia 1º de janeiro, e não gosto de ficar mais velha
2 - É verão, e eu não gosto de calor
3 - Acho o Natal de uma chatice e hipocrisia sem tamanhos
4 - Meu inferno astral piora tudo
5 - Sinto o tempo passar e me sufocar

Este ano tem um agravante: completo um ano de formada.
E parece que joguei um ano de minha vida fora.
E o pior: sinto-me amplamente culpada por isto.
É inevitável eu me cobrar, me culpar.

Mês que vem começam, por todos os lados, musiquinhas e jingles chatos de Natal e reveillon.
Ou vai falar que você gosta de: "Hoje é um novo dia, de um novo tempo.... e blábláblá"?
E aquele bando de globais felizes e sorridentes.
Claro! Até eu estaria feliz se ganhasse o que eles ganham!
Não dá!

Nas vitrines, só roupas brancas.
Tá bom! Se usar branco for resolver minha vida no ano que vem,
pinto até meu cabelo de branco!

Ahhh, o Natal.
Data mais consumista do ano e que todo mundo se ama.
Feliz Natal pra todos os lados!
A pessoa passa o ano inteiro sem falar com você e depois vem com abracinhos e beijinhos com validade de um dia?
Sem contar a lotação de mensagens brilhantes e piscantes que chegam no Orkut!
Ninguém merece!

Agora, um comentário inútil.
Quem mandou eu querer nascer no primeiro dia do ano? No meio da festa?
Logo uma semana depois do Natal?
Só ganho um presente e nunca tive festa surpresa!
Mas eu gosto de ter sido a primeira de 86!

Enfim....
Fim de ano? Me erra vai!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ferida...

Sinto-me impelida a escrever sobre algo muito delicado para mim.
Amizades.
Qualquer pessoa que me conheça bem, sabe o quanto eu as valorizo.

Porém, ano passado perdi melhores amigas. Amigas de longas datas.
Uma eu conhecia desde os 8 anos.
Outra eu adotei como irmã.
E a outra era minha "alma gêmea" feminina.

Fazíamos tudo juntas.
Bagunça. Fofocas. Planos. Idéias. Festas. Tudo.
De longe eram as amigas que eu mais amava.

Era tão bom saber que onde quer que eu fosse, eu tinha pessoas que eu podia sempre contar.
Que estariam lá quando eu precisasse, torcendo por mim. E a recíproca era verdadeira.
Sempre as quis bem, sem sombra de dúvida.

Mas a vida é sacana, e nos coloca em situações adversas.
E sem saber nem onde, como ou porquê, elas se foram.
Sem brigas, discussões ou seja lá o que for. Só soube das fofocas erradas.
Julgamentos errados, conclusões erradas. Pura mesquinharia.

Sofri. Chorei.
Mas, pra mim, o orgulho sempre fala mais alto.
E não corri atrás.
Não achei a atitude delas dignas da minha amizade.
Eu, que sempre as prezei ao máximo.

Dói. Ainda dói.
Até sonho às vezes.
Que estamos bem, que a amizade se recuperou.

Acho que nunca vou compreender.
E nunca vou aceitar essa atitude orgulhosa, de ambas as partes.

Enquanto isso...
A vida continua.. e eu sobrevivo.
Sem entender o porquê desse tipo de situação.
Só fica a ferida.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Por um mundo mais digno...

Acho que hoje em dia as pessoas já não sabem mais o valor de uma simples gentileza.
Certamente a correria do dia-a-dia, a violência, a intolerância e o estress tranformou as pessoas em rudes e desconfiadas.
Pergunto: qual foi o último dia que um desconhecido fez um favor a você, sem querer nada em troca? É bem provável que já nem se lembre mais.

Estava eu na fila do supermercado, alheia, pensando na vida.
- Próximo!
Fui em direção ao caixa e percebi que a moça que havia sido atendida anteriormente começava a embalar suas compras.
A atendente começou a passar o que eu comprei e foi colocando quase junto ao que era da moça.
Como faltava ainda muita coisa para ela embalar, pensei comigo: Vou ajudá-la primeiro e depois arrumo o que é meu.
Peguei uma sacolinha e coloquei uma caixa de suco (da moça) dentro.
E ela, com cara de assustada e desconfiada:
- Ei, isso é meu!
- É, eu sei. Só estou te ajudando.
- Ah tá! (meio sem jeito)
Continuei ajudando e ela foi embora, sem nem agradecer.

Não sei se estou exagerando, mas acho que as pessoas não estão mais acostumadas com uma gentileza. A falta de respeito e de educação já faz parte do nosso cotidiano.
Talvez se eu a tivesse ignorado, embalado só o que era meu e fosse embora, a moça nem teria me notado. Acharia tudo muito normal, infelizmente.
Mas não é esse o tipo de pessoa que eu sou, e não é esse o tipo de pessoa que pretendo ser.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Só uma coisinha!

Zapeando canais, paro no boletim daquele reality show global, No Limite.

Aí pergunto: "O que você seria capaz de fazer por dinheiro?"

Essa é só mais uma das constatações que provam a minha crença de que o ser humano é ridículo.
Pelo menos para mim.

Cometi o pecado de generalizar? Desculpem-me, mas sou contraditória. Ao mesmo tempo em que quero acreditar que a humanidade vale a pena, acho que tudo está, e sempre esteve, perdido.

E não tenho mais nada a dizer por agora. Isso tudo me cansa.
A falta de sentido me cansa. Demais.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Da terra do nunca..

E já vamos para a segunda semana sem Michael Jackson.
Desde a sua morte (25/06) até hoje já foram 11 dias e duvido que alguém passou apenas um dia sequer sem ouvir o seu nome, ou ao menos sem ouvir uma música do astro.
Inclusive eu, neste exato momento, estou com a famosa "Thriller" na cabeça, que me levou a escrever esse post.

Mas não vim até aqui para elogiá-lo. Todos já sabem do que ele era capaz como artista e a sua fama e talento são indescútiveis.
Porém, quero falar sobre algo que me incomoda:
A cobertura da mídia e a reação das pessoas ao redor do mundo.

Eu, que mal assisto televisão, já não tenho mais paciência para ver agora. Uma "zapeada" rápida e pelo menos um canal está passando algo sobre Michael.
Um mostra a entrevista de quando foi acusado de pedofilia:
- Eu só levava as crianças para brincarem em Neverland, dava leite quente pra elas e dormíamos todos juntos. Tudo na inocência.
Outro canal, outra entrevista:
- Meu pai me bateu muito quando era pequeno. Odeio ele.
A mais recente matéria que vi foi como era a tão famosa mansão Neverland do ícone pop mundial.
Sem contar outros assuntos como a briga pra ver quem fica com a inestimável herança ou com a guarda dos filhos, qual é a dívida que ele deixou, imagens do último ensaio, amigos, parentes, doença, pedofilia, plásticas, drogas, colegas, velório, ingressos... UFA! É papo pra mais de metro!
Ah, e tem também os momentos "vamos relembrar os clips", em que assistimos a Black and White, Thriller, e por aí vai.
Os jornalistas já não sabem mais de onde tirar novidades sobre o assunto e a cobertura se transformou em algo muito presente no jornalismo de hoje: a espetacularização.
Até a morte de Michael Jackson é um show, que dá IBOPE, mobiliza as massas e dá lucro para os veículos de comunicação. Então vale a pena tudo!
Não me espantarei se daqui a alguns dias eu fique sabendo até a marca da fralda (?) que ele usava.

Atentemos para outro fato - o boom de fãs de Michael.
Eu com minhas 23 primaveras lembro, quando pequena, de um cara negro que ficou branco, que fez um clip com um monte de zumbis e que dançava como que flutuando.
Depois de 11 anos sem shows, o que soube dele durante esse tempo foram as acusações de pedofilia, do filho na sacada, da "falência" e só. Nada de muito engrandecedor.
Só que após a morte do cantor, milhares e milhares de fãs pipocaram por todo o planeta.
Por exemplo. Segundo a Veja, só nos EUA foram vendidas mais de 422 mil cópias - mais que o total de discos vendidos nos últimos 11 anos.
Aqui no Brasil o estoque de 20 mil cds esgotou-se.

Ouço nas ruas e nas conversas cotidianas as pessoas dizendo "tadinho dele", "ah, gostava tanto dele", "baixei todos os cds no meu computador". Só que antes de Michael morrer, ninguém mal lembrava de sua existência. Salvo os fãs.

Agora vamos ver até onde essa onda "michaeljacksoniana" vai e até quando vai durar.

Que me desculpem os verdadeiros fãs, porque como já disse antes, ele era um baita artista.
E bem na hora de sua morte, voltou a ser o que era antes, um ícone pop.
Mas, de qualquer forma, cansei MJ!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma vista ... parte II

Bom, como eu tinha dito no outro post, este aqui é sobre algo que vejo da minha janela .

Típica cena que vejo na esquina da Regente Feijó com Barreto Leme:
jovens vendendo drogas para os traseuntes e motoristas que ali passam.
Observo esta cena há 6 anos.

Segunda feira de madrugada, paro na janela para olhar a vista.
Há policias revistando os garotos traficantes.
Mas não se iluda. Isto eu também vejo bastante.

E agora preciso contar o que passei uma vez. É uma das histórias mais revoltantes.
Certa madrugada acordei com os gritos de uma mulher. Desesperada.
Fui até a janela e eram os mesmos garotos roubando uma mulher.
Por fim ela gritou tanto, que eles deixaram ela ir embora.

Na mesma hora liguei para a polícia.
Aqui vai o diálogo que eu tive com o "prestativo" policial de plantão:

- Delegacia de polícia...
- Seguinte, acabei de ser acordada pelos berros de uma mulher sendo roubada aqui na Barreto Leme com Regente Feijó.
Foram aqueles meninos que ficam vendendo drogas ali na esquina.
- Olha minha senhora, aqueles rapazes são perigosos. Eles já tem passagem pela polícia.
- Tá, eu sei que eles são perigosos. Mas eu vejo todas as noites eles venderem drogas e tudo o mais ali e ninguém faz nada. Inclusive eu vejo a própria polícia parar ali, falar com eles e ir embora sem fazer nada.
- Bom senhora, nós não podemos fazer nada com esses garotos. Eles já tem passagem pela polícia, não tem o que a gente fazer.
- Não tem o que vocês fazerem??? Se vocês que deveriam nos proteger não podem fazer nada, quem vai fazer? Não é a toa que os policiais param ali, conversam com eles e não fazem nada.
- Mas você não sabe o que eles conversam.
- Olha meu caro, eu tenho até medo de saber o que eles conversam.
- O que eu posso fazer é deslocar uma viatura para averiguar o local.
- Então por favor, não faz mais que sua obrigação. E eu vou ficar aqui esperando pra ver se alguma viatura vai vir mesmo. Tchau.

Dá pra acreditar? Foi uma das coisas mais estúpidas que já ouvi em minha vida.
E que me deixa absolutamente revoltada!
E o pior é ter de conviver com estas cenas e fazer de conta que não vejo e não sei de nada.
Os policias fingem que eles não existem. E essas coisas absurdas continuam a acontecer.

Voltemos para a noite daquela segunda feira.
Os policias revistando os meninos na esquina.
O PM procura algo, porém não encontra.
Revira as roupas do rapaz, a rua, as lojas próximas. Nada.
Os policias desistem e vão embora. E os 2 traficantezinhos vão embora também, como se fossem as pessoas mais inocentes da cidade.
De certo eles ficam fazendo ponto na esquina toda noite a toa. Quem sabe.

Fico na janela durante mais uma hora observando.
Os policiais passam mais 2 vezes. Usuários também passam a procura de drogas.
Dos traficantezinhos nem sinal.
Quem dera tudo acabasse assim.

Terça feira, meia noite.
Três rapazes na esquina vendendo drogas, como se nada tivesse acontecido na noite anterior.
E desta formas todas as outras noites que se passaram, como todas as outras próximas e anteriores..

Parem o mundo que eu quero descer!!!