Lá no início, éramos oito. Oito meninas que nunca haviam se encontrado, caminhos diferentes que iam se cruzar. Elas tinham uma história para contar juntas.
Lá no início elas se conheceram. Sentaram-se perto uma das outras nos primeiros dias de aula e, com a maior naturalidade, criaram os laços da amizade.
Fernanda gostava de música, dança, teatro, cinema. Caminhava e se expressava como que flutuando em uma pista de dança que toca uma música suave, sem fim.
Carol era alta, magra e de um senso de humor ímpar. Não havia quem não se divertia quando ela resolvi tecer comentários sobre algum disparate em sala.
Bruna parecia ser do tipo tímida e tranquila. Ledo engano. Bastava uma boa festa, amigos e música para tudo mudar. De personalidade forte e decidida nunca deixava de falar o que passava pela cabeça.
Sara também gostava de música e cultura. Divertida, dotada de uma beleza e força de vontade que nem ela mesma percebia, foi crescendo e enfrentando os fantasmas que apareceram pelo seu caminho.
Samanta veio de outra cidade. Falava engraçado às vezes, conversava com todo mundo, sempre estava de alto astral e não vivia sem algo de cor rosa. Não tinha tempo ruim para uma boa festa ou para um programa de índio qualquer.
Sophia chegou um pouco atrasada, cerca de um mês depois. Tinha o estilo completamente diferente das outras. Também topava qualquer programa. A sinceridade era o traço mais forte, falava o que achava e ponto.
Aline era figurinha conhecida na cidade. Amiga de meio mundo, dona de um estilo único, estava sempre pronta pra qualquer programa com os amigos. Gostava de ir aos lugares mais estranhos da cidade e isso divertia todas elas.
Eloísa foi a que chegou mais atrasada, cerca de um ano depois. Também veio de outra cidade batalhar pelos seus sonhos e aos poucos foi conquistando seu espaço na turma. Aos olhos de quem não a conhecia parecia ser metida, às vezes. Mas quem a conhecesse melhor via que era apenas impressão, pois era uma boa amiga.
E o tempo passa... indiferente, imparcial. E vai transformando o caminho de cada uma delas...
Elo hoje mora nas bandas baianas, soteropolitanas. Vive e acontece entre mares e sóis. Bruna acabou de seguir para sua nova vida, bem longe. Na capital do prédio de cinco lados foi buscar o que não achou aqui em terras tupiniquins.
Sei que a vida é assim mesmo. Nos leva para lugares distantes.
Mas não posso evitar pensar no futuro e nas surpresas que ele nos reserva.
A distância pode ser inevitável, mas o importante é que ficando 6, 5, 4, 3... sempre estaremos unidas por um sentimento maior...