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quarta-feira, 2 de março de 2011

Recesso...


Eu sei... muitos já vieram me cobrar uma atualização.
Mas juro.. juro mesmo.. estive em um momento de bloqueio criativo forte.

Minha mente vinha insistindo em refletir sobre assuntos que não me competem. E minh'alma exigente não aceita tais transgressões, palavras que não merecem ser relacionadas a mim.

Agora, são tantas surpresas incríveis que me arrisco afirmar que as melhores coisas caem do céu na minha vida. 

Encontro-me em recesso criativo, por pouco tempo. Por hoje é só. Peço a todos paciência. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Balanço 2010

Já não é sem tempo que aqui apareço para a retrospectiva do ano de 2010. 
Ah, e como é difícil sentar e refletir sobre este ano que passou. Mas posso resumi-lo em amadurecimento e reafirmação.

Começo
O ano se iniciou com novos desafios profissionais e sentimentais. Aprendi a exercitar a minha paciência e tolerância e a ser mais maleável quanto a minha impetuosidade. Traços de personalidade que assumi precisarem de melhorias e atenção. Aprendi também que uma das atitudes mais sublimes do ser humano é a de se entregar aos sentimentos verdadeiros. Em troca, dormimos em uma cama serena, coberta por flores.
   
Meio
Novas mudanças e desafios profissionais e sentimentais muito maiores.
Responsabilidades excessivas que me fizeram crescer como pessoa e profissional. Conquista de espaço demonstrando competência e dedicação.
Meses de muito estresse, crescimento intelectual e também de novas amizades e momentos especiais. A ânsia do "para sempre" unida a estabilidade me proporcionaram atingir um patamar mais além, criar novos laços e expectativas. 

Fim
É chegada a hora de amadurecer e de me reencontrar. Mais mudanças colocaram à prova minha capacidade de ressurgir. E tudo o que eu havia experimentado durante o ano serviu para o momento de reavaliar qual seria o próximo passo a ser dado.
De repente, fui levada a retomar as rédeas de minha vida, que ao primeiro olhar pareceu tão distante de mim. E como é difícil ser forte e aprender cortando a própria carne. Quase que como abstrata, eu peguei a vida com as mãos e voltei a caminhar nesta jornada muitas vezes sem sentido. 
Aprendi a estimar cada espacinho do que sou. Não mais me permitir ser diminuída, desvalorizada ou que eu abandone o que há de melhor em mim. E para minha surpresa, o que antes parecia tão assustador me veio como um presente que precisei reconquistar, lutar e fazer valer a pena: minha liberdade. 

As experiências vividas em 2010 guiarão meus próximos passos, portanto busco tirar as lições mais construtivas e positivas possíveis. Amadureci nos erros e nos acertos. Na felicidade e no sofrimento. Na certeza e no arrependimento. No amor e no vazio. Na derrota e na vitória.
E aqui me encontro, como que em um livro cheio de páginas brancas sedentas por palavras. Um novo começo de vida, um novo caminho. Ávida por uma vitória, um olhar, um sorriso, uma oportunidade, uma sabedoria... ávida por viver ainda mais intensamente. 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ilegíveis... (Lágrimas Mundanas)

Escrevo milhares de textos por dia.
Mentalmente.
Quando paro para transformá-los em pensamentos legíveis, como crianças travessas eles se esvaem.
E uma após a outra, inúmeras crônicas, poemas e poesias se perdem em meu espírito inquieto.
Feitas para serem lidas apenas uma vez por apenas uma pessoa. Eu.

Tenho tentado transferir para o branco do papel divagações fundamentais, porém as palavras escritas têm vida própria e não querem ser registradas.
Não podem, simplesmente.

Então, por agora, os deixo com um texto escrito no dia 24 de abril de 2010.

Lágrimas Mundanas

E perguntaram: 
- Por que choras menina? 
E a garota, pequena, de saia laranja enodoada, olhos cor de mel, que agora se encharcavam de gotas salgadas, olhos que pareciam globos terrestres que estampavam em sua crosta reflexos complexos, não lhes respondia.
Insistiram na indagação. Incrível habilidade humana de sentir prazer na confusão alheia, no cheiro dissoluto de uma alma em conflito direto com o caos interior. A curiosidade faz do homem um ser subjugado pelo incógnito. 
- Por que choras menina?
No entanto, a pequena não ouvia. Ecoavam em sua mente vozes obstinadas que ela não digeria. Ora pareciam preces, ora pareciam risos, ora apenas um grito abafado. Não entendia e não pretendia refletir, pois já sabia que ponto havia atingido. 
Levantou as duas esferas banhadas em mel e sal fixando-as em um ponto vago entre os poucos transeuntes que se atreviam a errar por ali. Os dias já não eram como antigamente, e não voltariam a ser.
A pele alva e empecida em volta de seus lábios movimentou-se. Parecia que queria falar, expelir o que entorpecia seus sentidos e fazia seu tempo parar, num instante de confusão infinito. Uma última lágrima rolou franzina e enfraquecida por sua face. Ela afastou o rastro salgado e olhou para o céu que, como se sentisse o que ela sentia, assoprava para longe carregadas nuvens perturbadas.
E o que se ouviu foi:
- Choro porque embaixo de nossos pés não existe mais chão e o ar que respiramos não possui oxigênio algum. As flores não exalam cheiros agradáveis e os pássaros não mais cantam. Choro porque a vida que vivemos não é nossa. Tudo nos foi arrancado aos poucos e estávamos muito ocupados para perceber o que acontecia a nossa volta. Enquanto a distração nos entretinha outro mundo era arquitetado por nossas próprias mentes. E aqui estamos. 
Abriu os braços, como se esperasse um abraço daquele lugar que acabara de descrever. E disse ainda, virando as costas e desaparecendo entre paredes vazias:
- Choro porque sinto dentro de mim todos os sentimentos do mundo. 

sábado, 24 de abril de 2010

Metalinguagem...

A pouco estava eu aqui, em frente ao PC, me pondo a escrever. E confesso, aquela tela branca do Word, aquele indicador piscando, a estática da página, me intimidam.
E se eu forçar a memória, a página em branco de um caderno que esperava a primeira palavra de minhas mãos também causavam o mesmo efeito.
É como se as ideias fossem assopradas pra longe e a brancura tomasse conta da minha mente. A primeira frase é sempre a luta para que a mente volte a seu estado criativo e organize os pensamentos de uma maneira coesa.

Sentimento confuso para alguém que resolveu se aventurar pelo Jornalismo e ganhar a vida escrevendo textos.
Mas não para por aí. A próxima confissão é ainda mais contraditória:
Após escrever redações nas aulas de português, não me sentia confortável em ler para a sala, caso a professora pedisse. E também acontecia caso algum colega curioso quisesse ler meu texto.

Exteriorizar meus pensamentos e sentimentos em um papel fazia com que aqueles "documentos" fossem extensões de mim, e a invasão de privacidade e possível desaprovação me deixavam apreensiva. Em alguns cadernos, onde escrevia textos e poesias, havia o aviso: "Proibido ler".

Em 2001, quando tinha 15 anos e estava no 1º colegial, o vestibular não era mais algo tão distante. Já era hora de pensar no que ser quando crescer, definitivamente. Naquela época ainda não sabia que profissão seguir.
A professora de português era a estimada Cristina Bisco, que me conhece desde quando nasci. Inclusive seu ex-marido (dr. Américo Prado) foi o médico que fez o parto de minha mãe e me trouxe à vida.

Muitas das aulas dela eram dedicadas à redação. E eu ainda com aquela sensação de não gostar que outras pessoas lessem o que eu escrevia. Porém, a Cris, muitas vezes, usava meus textos como referência para a sala. Fazia suas críticas pontuais, mas de maneira geral sempre elogiava.
Lembro-me de uma vez que ela perguntou algo assim:
- "Samanta, já pensou em fazer Jornalismo?"

E a semente foi plantada. A partir daí comecei a me interessar pela profissão, ler mais e aqui estou. Infelizmente ainda procurando meu lugar ao sol neste mercado de trabalho cruel.

Aquele receio de expor-me através das palavras foi embora. O receio da desaprovação também.
Ainda bem! Senão o Ai Que Ouro nunca existiria!
Agora sei que tenho muito o aprender e crescer. Na vida e na escrita.
Um dia eu chego lá!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Éramos oito...

Lá no início, éramos oito. Oito meninas que nunca haviam se encontrado, caminhos diferentes que iam se cruzar. Elas tinham uma história para contar juntas.
Lá no início elas se conheceram. Sentaram-se perto uma das outras nos primeiros dias de aula e, com a maior naturalidade, criaram os laços da amizade.

Fernanda gostava de música, dança, teatro, cinema. Caminhava e se expressava como que flutuando em uma pista de dança que toca uma música suave, sem fim.
Carol era alta, magra e de um senso de humor ímpar. Não havia quem não se divertia quando ela resolvi tecer comentários sobre algum disparate em sala.
Bruna parecia ser do tipo tímida e tranquila. Ledo engano. Bastava uma boa festa, amigos e música para tudo mudar. De personalidade forte e decidida nunca deixava de falar o que passava pela cabeça.
Sara também gostava de música e cultura. Divertida, dotada de uma beleza e força de vontade que nem ela mesma percebia, foi crescendo e enfrentando os fantasmas que apareceram pelo seu caminho.
Samanta veio de outra cidade. Falava engraçado às vezes, conversava com todo mundo, sempre estava de alto astral e não vivia sem algo de cor rosa. Não tinha tempo ruim para uma boa festa ou para um programa de índio qualquer.
Sophia chegou um pouco atrasada, cerca de um mês depois. Tinha o estilo completamente diferente das outras. Também topava qualquer programa. A sinceridade era o traço mais forte, falava o que achava e ponto.
Aline era figurinha conhecida na cidade. Amiga de meio mundo, dona de um estilo único, estava sempre pronta pra qualquer programa com os amigos. Gostava de ir aos lugares mais estranhos da cidade e isso divertia todas elas.
Eloísa foi a que chegou mais atrasada, cerca de um ano depois. Também veio de outra cidade batalhar pelos seus sonhos e aos poucos foi conquistando seu espaço na turma. Aos olhos de quem não a conhecia parecia ser metida, às vezes. Mas quem a conhecesse melhor via que era apenas impressão, pois era uma boa amiga.

E o tempo passa... indiferente, imparcial. E vai transformando o caminho de cada uma delas...
Elo hoje mora nas bandas baianas, soteropolitanas. Vive e acontece entre mares e sóis. Bruna acabou de seguir para sua nova vida, bem longe. Na capital do prédio de cinco lados foi buscar o que não achou aqui em terras tupiniquins.

Sei que a vida é assim mesmo. Nos leva para lugares distantes.
Mas não posso evitar pensar no futuro e nas surpresas que ele nos reserva.
A distância pode ser inevitável, mas o importante é que ficando 6, 5, 4, 3... sempre estaremos unidas por um sentimento maior...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Inerentes...

A eterna pergunta: razão ou emoção?

Eu queria saber o que Deus pretendeu ao nos criar seres dotados tanto de razão quanto de emoção.
Não saberia Ele que viveríamos em um eterno conflito entre um e outro?
Que mantê-los em um equilíbrio perfeito é quase impossível?
Que a escolha entre um e outro vai além de nossas forças?

Eu realmente queria estar ao lado de Deus quando ele pensou "Ah, vamos ver no que dá os seres humanos serem racionais e emocionas"! Ah, como eu queria.
Assim talvez eu teria a resposta pra esse conflito interno que tanto sinto.

A razão sempre foi uma das minhas principais características.
Emoção pra quê? Dizia eu.
E quando, afinal, eu me permito ser verdadeiramente emocional, tá lá a razão querendo retomar seu antigo espaço.
E olha só que surpreendente! Eu, tão racional, preferindo a emoção.
E realmente surpreendi tanto a mim, quanto às pessoas ao meu redor.
Porque a gente percebe que as coisas que importam na vida moram lá.
E que uma vida não é vida se não houver sentimentos e emoções.

Mas onde fica a razão, dona de toda a verdade do universo?
A razão que se julga sabida o suficiente para decidir o que é melhor.
Ela fica nas dúvidas, nas indecisões, nas escolhas e diria que até na solidão.

Será Deus é um ser racional ou emocional?
Alguns responderiam: um equilíbrio entre os dois.
É, vai ver que só sendo um ser divino para sabe lidar com essas questões intrínsecas à alma.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Balanço 2009

Janeiro está acabando e já é mais que hora para o balanço de 2009.
Poderia resumir o ano que passou em duas palavras: crescimento e aprendizado.

Começo
Logo de cara tive de escolher entre ser quem eu era ou quem eu seria.
Meus sonhos e convicções foram colocados à prova.
Tive que multiplicar coragem e paciência. E também a paciência das pessoas queridas que fazem parte da minha vida, que sempre me deram força e apoio.
Aprendi a conviver com as diferenças e a colocar o orgulho de lado.
Venci. E o gosto da vitória só conhece os que vencem.

Meio
Quem acompanha este blog já sabe muito bem: a paixão meteoricamente avassaladora.
E aí meus sentimentos guardados à sete chaves foram colocados a prova.
E olha só que surpresa, para quem diz que gosta de não gostar de ninguém!
Aprendi a deixar acontecer, contrariando o costume de podar sentimentos recentes.
Aprendi a não pensar só em mim e a não ser tão inflexível.
Só posso dizer que não me arrependo de nada.

Fim
Aquele tinha tudo para ser um final de ano tranquilo.
Mas não é a toa que não gosto muito desta época.
A vida, que já tinha criado uma rotina pouco perturbada, resolveu colocar à prova minha razão.
Ressuscitando questões passadas, atirando dúvidas no que já estava certo. Como quem atiça o fogo em uma lareira quente.
Sofri, chorei e me decepcionei.
Aprendi a me valorizar mais, sem deixar os sentimentos importantes de lado. Sei o que e quanto eu mereço.

Durante 2009 fiz e refiz amizades.
Reforcei laços. Reafirmei princípios.
Cresci... como pessoa, profissional e mulher.

E aqui estamos, já em clima de carnaval.
No fim devo ser uma boa menina.
Ganhei meu mais desejado presente, aquele que esperei durante um ano avidamente.
Não é como gostaria que fosse, mas é apenas mais uma prova para um degrau acima, no futuro.

Para acabar este balanço anual, parafraseio Toquinho, com um trecho de Aquarela.
"E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a
rir ou chorar."

Eu escolhi rir...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O tempo...

Bisbilhotando textos e poesias pelos sites a fora,
encontrei uma de Mário Quintana. Chama-se O Tempo.
Faço minhas as palavras dele.

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Faça uma lista...

Uma pessoa muito especial me deu um presente há pouco tempo.
Um daqueles presentes que não é concreto, mas que você leva pra vida toda.
Não se pode pegar, só se pode sentir.

Fui apresentada a uma música.
Daquelas que você ouve e toca o seu âmago...
Por culpa da minha ignorância musical não tinha conhecimento do cantor e compositor.
Por sorte, ela agora faz parte das minhas preferidas.

Tenho certeza que também se reconhecerão nela.
Apresento-lhes: A Lista, de Oswaldo Montenegro
(Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=aV99ypbCidw )

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Novos tempos

Eu não poderia deixar de escrever no dia de hoje.
Ano Novo, meu aniversário.
Com 365 dias no ano pra eu nascer, eu escolhi logo o primeiro.
E posso te garantir que é um momento de reflexões multiplicadas.
Mas talvez seja eu que pense demais na vida, no passado, no futuro..

Só quero esperar de 2010 com 24 anos recém-completos
que eu cresça mais
que eu aprenda mais
que eu ame mais
que eu experimente mais
que eu me dedique mais
que eu conheça mais
que eu acredite mais
que eu viva mais
enfim, que eu seja uma pessoa melhor, em todos os sentidos.

Brevemente farei uma retrospectiva 2009.
Hoje, quero apenas que chegue amanhã.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Certezas e incertezas....

Mais uma peça que a vida me prega..
Essa vida, vou te contar viu.
Tão surpreendente, com seus casos e acasos.

Há quase 5 meses, poderia dizer que a minha vida estava um mar em preto e branco.
Sem sal, nem açúcar. É, bem sem graça.
Saia de um momento de superação e tentava me encontrar de novo.

Aí, o que era inesperado, aconteceu:
Me apaixonei. Acidentalmente apaixonada.
E aquele mar monótono se transformou em um oceano de cores.

Sentimentos que eu havia guardado a 7 chaves, ressurgiram.
Meteoricamente avassaladores!
E tudo estava indo bem, mesmo com todas as dúvidas que pairavam.
Porque eu acreditava. Havia me doado por inteira.

Até que em uma bela amanhã, as incertezas, os medos e as diferenças prevaleceram.
E tudo se exauriu...
Até minha alma se esvaziou.
E encontrei-me em um turbilhão de dor.

Três dias de sofrimento depois, um anjo caiu do céu (minha mãe).
E clareou meus cegos olhos ainda apaixonados.
E da mesma maneira que a dor veio, ela se foi.

O que me restou?
A certeza de ser uma pessoa abençoada.
Por saber viver a vida por inteiro.
Por estar cercada de pessoas que me amam.
Por ter um grande coração.
Enfim.... por ser Samanta.

Se valeu a pena?
Demais!
Agora sei que posso conviver com aqueles sentimentos antes esquecidos.

Parece que as incertezas cessaram....
Será?

PS: O Ai Que Ouro está completando 1 ano de vida!
Parabéns pra você!
Agradeço a todos que insistem em ler todas essas maluquices que escrevo!
Sei que tenho muito o que aprender ainda, na escrita e na vida!
Mas vocês fazem parte disso aqui! Smackão!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quero saber bem mais que meus 20 e poucos anos...

Ontem eu era uma garotinha que andava de velotrol por ruas seguras.
Hoje ando entre desconhecidos pelas avenidas inseguras.

Ontem eu fazia contas de somar, dimunuir, multiplicar e dividir.
Hoje as contas se transformaram em juros e encargos financeiros.

Ontem minha maior responsabilidade era tirar boas notas na escola.
Hoje a vida me impõe um apanhado de tarefas exclusivas.

Ontem me perguntavam o que eu ia ser quando crescer.
Hoje me perguntam o que eu vou fazer da vida depois de ter crescido.

Ontem eu brincava de "Alerta" na rua até altas horas.
Hoje eu fico pra rua até o sol raiar.

Ontem eu estudava pra passar no vestibular.
Hoje eu tenho até um diploma.

Ontem eu era a filhinha do papai.
Hoje eu sou a filha independente.

Ontem não havia preocupações.
Hoje são tantas que eu nem conseguiria enumerá-las.

Ontem rugas eram coisas bem distantes.
Hoje o reflexo que eu vejo no espelho já mostra que elas chegam.

Ontem eu tinha 5,9,15, 18 anos.
Hoje quase 24.

O tempo é mesmo, implacável.

domingo, 8 de novembro de 2009

Sabe este vazio que você sente?

Esse texto do Krishnamurti eu retirei do blog do Paulão.
Eu sei que parece um tanto extenso, mas garanto que vale a pena lê-lo até o final.
Boa reflexão!


SOBRE O VAZIO EXISTENCIAL
Krishnamurti

O nosso problema está no fato de a nossa vida ser vazia e de não conhecermos o amor; conhecemos sensações, conhecemos a publicidade, conhecemos exigências sexuais, mas não há amor. E como se faz para transformar esse vazio, como encontrar essa chama sem fumaça? Esta é por certo a pergunta, não é? Então, vamos descobrir juntos a verdade desse assunto.

Por que a nossa vida é vazia? Embora sejamos muito ativos, embora escrevamos livros e freqüentemos o cinema, embora nos divirtamos, amemos e vamos ao escritório, nossa vida é vazia, tediosa, mera rotina. Por que os nossos relacionamentos são tão superficiais, estéreis e sem muito sentido? Conhecemos a nossa vida suficientemente bem para saber que a nossa existência tem muito pouco significado; citamos frases e idéias que aprendemos — o que fulano ou beltrano disseram, o que os mahatmas, os santos mais recentes ou os antigos santos disseram. Se não for um líder religioso, seguimos um líder político ou intelectual, seja Marx, Adler ou Cristo. Somos apenas fitas gravadas que repetem, e damos a esse repetição o nome de conhecimento. Aprendemos, repetimos, e a nossa vida continua extremamente superficial, entediante e repulsiva. Por quê? Por que é assim? Por que atribuímos tanta importância às coisas da mente? Por que a mente veio a se tornar tão importante na nossa vida — quando digo mente refiro-me às idéias, ao pensamento, à capacidade de racionalizar, de avaliar, de sopesar, de calcular? Por que damos uma ênfase tão extraordinária à mente? O que não significa que devamos nos tornar emotivos, sentimentais e melosos. Conhecemos esse vazio, esse extraordinário sentimento de frustração. Por que há na nossa vida essa vasta superficialidade, esse sentimento de negação? Não há dúvida de que só podemos compreendê-lo quando o abordamos por meio da consciência do relacionamento.

O que de fato está acontecendo nos nossos relacionamentos? Nossos relacionamentos não constituem um auto-isolamento? Não são todas as atividades da mente um processo de salvaguarda, de busca de segurança, de isolamento? Não é esse pensamento, que dizemos ser coletivo, um processo de isolamento? Não é toda ação da nossa vida um processo de auto-encerramento? Vocês podem vê-lo na sua vida diária. A família tornou-se um processo de auto-isolamento e, sendo isolada, deve existir em oposição. Assim, todas as nossas ações estão levando ao auto-isolamento, que cria essa sensação de vazio; e, sendo vazios, procuramos preencher o vazio com rádios, com barulho, com tagarelices, com fofocas, com a leitura, com a aquisição de conhecimento, com a respeitabilidade, o dinheiro, a posição social e por aí afora. Mas tudo isso é parte do processo de isolamento e, portanto, apenas reforça o isolamento. Assim, para a maioria de nós, a vida é um processo de isolamento, de negação, de resistência, de ajustamento a um padrão; e, naturalmente, nesse processo não há vida, havendo, por conseguinte, uma sensação de vacuidade, uma sensação de frustração. Claro que amar alguém é estar em comunhão com essa pessoa, não num determinado grau, mas completa, integral e profusamente; porém, nós não conhecemos esse amor. Só conhecemos o amor como sensação — os meus filhos, a minha mulher, a minha propriedade, o meu conhecimento, a minha realização; e isso é novamente um processo de isolamento. A nossa vida, em todas as direções, leva à exclusão; ela é um impulso de auto-isolamento da parte do pensamento e do sentimento; às vezes conseguimos nos comunicar com o outro. Eis por que existe esse enorme problema.

Ora, esse é o estado atual da nossa vida — respeitabilidade, posse e vazio — e a pergunta é como proceder para irmos além dele. Como ir além dessa solidão, desse vazio, dessa insuficiência, dessa pobreza interior? A meu ver, a maioria de nós não deseja fazê-lo. A maioria de nós fica satisfeita com a maneira como é; é muito cansativo descobrir uma coisa nova, e por isso preferimos permanecer como estamos — e aí reside a verdadeira dificuldade. Temos muitas coisas que nos dão segurança; construímos paredes ao redor de nós mesmos, com as quais estamos satisfeitos e, ocasionalmente, há um murmúrio vindo de além da parede; há de vez em quando um terremoto, uma revolução, uma perturbação que logo neutralizamos. Desse modo, a maioria de nós na realidade não quer ir além do processo de auto-isolamento; tudo o que procuramos é um sucedâneo, a mesma coisa numa outra forma. Nossa insatisfação é bem superficial; queremos uma coisa nova que nos satisfaça, uma nova segurança, uma nova maneira de nos proteger — o que é, mais uma vez, o processo de isolamento. O que estamos procurando, a bem dizer, não é ir além do isolamento, mas reforçá-lo de modo que ele venha a ser permanente e livre de interferências. São poucos os que desejam derrubar as barreiras e ver o que existe para além disso que chamamos de vacuidade, solidão. Aqueles que buscam um sucedâneo para o antigo ficarão satisfeitos ao descobrir algo que proporcione uma nova segurança, mas há evidentemente quem queira ir além disso; por isso, prossigamos com eles.

Ora, para ir além da solidão, do vazio, é preciso compreender todo o processo da mente. O que é isto que chamamos de solidão, de vazio? Como sabemos que é vazio, que é solidão? A partir de que critério vocês dizem que é isto e não aquilo? Quando vocês dizem que é solidão, que é vazio, qual é a referência? Vocês só podem sabê-lo a partir das medidas proporcionadas pelo antigo. Vocês dizem que algo é vazio, vocês o nomeiam, e julgam tê-lo compreendido. Não será o próprio ato de nomear um empecilho à sua compreensão? A maioria de nós sabe o que é a solidão, da qual estamos tentando escapar. A maioria de nós tem consciência dessa pobreza interior, dessa insuficiência interior. Não se trata de uma reação abortiva, mas de um fato; e ao lhe dar um nome não o podemos dissolver — ele está presente. Ora, como conhecemos seu conteúdo, como chegamos a saber qual é a sua natureza? Vocês conhecem alguma coisa por lhe dar um nome? Vocês me conhecem ao me chamar por um nome? Vocês só podem me conhecer quando me observam, quando têm comunhão comigo, mas chamar-me por um nome, dizer que sou isso ou aquilo, obviamente põe fim à comunhão comigo. De modo semelhante, para se conhecer a natureza daquilo que denominamos solidão, tem de haver comunhão com ela, e a comunhão não é possível se vocês a nomeiam. Para compreender alguma coisa, é preciso antes de tudo fazer cessar o ato de nomear. Se desejam de fato entender seu filho — o que eu duvido — o que vocês fazem? Vocês olham para ele, observam-no a brincar, contemplam-no, estudam-no. Em outras palavras, vocês amam aquilo que desejam compreender. Quando vocês amam alguma coisa, há naturalmente comunhão com essa coisa, mas o amor não é uma palavra, um nome, um pensamento. Vocês não podem amar aquilo a que dão o nome de solidão porque não têm plena consciência dela, porque a abordam com medo — não medo da solidão, mas de outra coisa. Vocês não pensaram sobre a solidão porque não sabem de fato o que ela é. Não riam; isto não é um argumento inteligente. Pensem bem no assunto enquanto falamos e verão todo o seu alcance.

Logo, aquilo que denominamos o vazio é um processo de iso lamento que é o produto do relacionamento cotidiano, porque, no relacionamento, consciente ou inconscientemente, estamos procurando a exclusão. Vocês querem ser o proprietário exclusivo daquilo que lhes pertence, da mulher ou do marido, dos filhos; querem caracterizar a coisa ou pessoa como meu, o que evidentemente significa aquisição exclusiva. Esse processo de exclusão deve inevitavelmente levar a um sentimento de isolamento; e como nada pode viver em isolamento, há conflito, e estamos tentando escapar desse conflito. Todas as formas de fuga que podemos conceber — as atividades sociais, a bebida, a busca de Deus, a puja, a realização de cerimônias, a dança e outras diversões — estão no mesmo nível: e se vemos na vida diária esse processo total de fuga do conflito e queremos suplantá-lo, temos de compreender o relacionamento. Só quando a mente não está escapando de nenhuma maneira é possível estar em comunhão direta com aquilo a que damos o nome de solidão: o só; e para haver comunhão com isso, tem de haver afeição, tem de haver amor. Em outras palavras, vocês têm de amar a coisa para compreendê-la. O amor é a única revolução, e o amor não é uma teoria nem uma idéia; ele não segue nenhum livro nem padrão de comportamento social.

Logo, a solução do problema não vai ser encontrada nas teorias, que servem somente para aumentar o isolamento. Ela só será encontrada quando a mente, que é pensamento, não estiver empenhando em fugir da solidão. A fuga é um processo de isolamento, e a verdade é que só pode haver comunhão quando há amor. Só então é resolvido o problema da solidão.

KRISHNAMURTI – SOBRE O AMOR E A SOLIDÃO - CULTRIX