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sábado, 24 de abril de 2010

Metalinguagem...

A pouco estava eu aqui, em frente ao PC, me pondo a escrever. E confesso, aquela tela branca do Word, aquele indicador piscando, a estática da página, me intimidam.
E se eu forçar a memória, a página em branco de um caderno que esperava a primeira palavra de minhas mãos também causavam o mesmo efeito.
É como se as ideias fossem assopradas pra longe e a brancura tomasse conta da minha mente. A primeira frase é sempre a luta para que a mente volte a seu estado criativo e organize os pensamentos de uma maneira coesa.

Sentimento confuso para alguém que resolveu se aventurar pelo Jornalismo e ganhar a vida escrevendo textos.
Mas não para por aí. A próxima confissão é ainda mais contraditória:
Após escrever redações nas aulas de português, não me sentia confortável em ler para a sala, caso a professora pedisse. E também acontecia caso algum colega curioso quisesse ler meu texto.

Exteriorizar meus pensamentos e sentimentos em um papel fazia com que aqueles "documentos" fossem extensões de mim, e a invasão de privacidade e possível desaprovação me deixavam apreensiva. Em alguns cadernos, onde escrevia textos e poesias, havia o aviso: "Proibido ler".

Em 2001, quando tinha 15 anos e estava no 1º colegial, o vestibular não era mais algo tão distante. Já era hora de pensar no que ser quando crescer, definitivamente. Naquela época ainda não sabia que profissão seguir.
A professora de português era a estimada Cristina Bisco, que me conhece desde quando nasci. Inclusive seu ex-marido (dr. Américo Prado) foi o médico que fez o parto de minha mãe e me trouxe à vida.

Muitas das aulas dela eram dedicadas à redação. E eu ainda com aquela sensação de não gostar que outras pessoas lessem o que eu escrevia. Porém, a Cris, muitas vezes, usava meus textos como referência para a sala. Fazia suas críticas pontuais, mas de maneira geral sempre elogiava.
Lembro-me de uma vez que ela perguntou algo assim:
- "Samanta, já pensou em fazer Jornalismo?"

E a semente foi plantada. A partir daí comecei a me interessar pela profissão, ler mais e aqui estou. Infelizmente ainda procurando meu lugar ao sol neste mercado de trabalho cruel.

Aquele receio de expor-me através das palavras foi embora. O receio da desaprovação também.
Ainda bem! Senão o Ai Que Ouro nunca existiria!
Agora sei que tenho muito o aprender e crescer. Na vida e na escrita.
Um dia eu chego lá!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quero saber bem mais que meus 20 e poucos anos...

Ontem eu era uma garotinha que andava de velotrol por ruas seguras.
Hoje ando entre desconhecidos pelas avenidas inseguras.

Ontem eu fazia contas de somar, dimunuir, multiplicar e dividir.
Hoje as contas se transformaram em juros e encargos financeiros.

Ontem minha maior responsabilidade era tirar boas notas na escola.
Hoje a vida me impõe um apanhado de tarefas exclusivas.

Ontem me perguntavam o que eu ia ser quando crescer.
Hoje me perguntam o que eu vou fazer da vida depois de ter crescido.

Ontem eu brincava de "Alerta" na rua até altas horas.
Hoje eu fico pra rua até o sol raiar.

Ontem eu estudava pra passar no vestibular.
Hoje eu tenho até um diploma.

Ontem eu era a filhinha do papai.
Hoje eu sou a filha independente.

Ontem não havia preocupações.
Hoje são tantas que eu nem conseguiria enumerá-las.

Ontem rugas eram coisas bem distantes.
Hoje o reflexo que eu vejo no espelho já mostra que elas chegam.

Ontem eu tinha 5,9,15, 18 anos.
Hoje quase 24.

O tempo é mesmo, implacável.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Por um mundo mais digno...

Acho que hoje em dia as pessoas já não sabem mais o valor de uma simples gentileza.
Certamente a correria do dia-a-dia, a violência, a intolerância e o estress tranformou as pessoas em rudes e desconfiadas.
Pergunto: qual foi o último dia que um desconhecido fez um favor a você, sem querer nada em troca? É bem provável que já nem se lembre mais.

Estava eu na fila do supermercado, alheia, pensando na vida.
- Próximo!
Fui em direção ao caixa e percebi que a moça que havia sido atendida anteriormente começava a embalar suas compras.
A atendente começou a passar o que eu comprei e foi colocando quase junto ao que era da moça.
Como faltava ainda muita coisa para ela embalar, pensei comigo: Vou ajudá-la primeiro e depois arrumo o que é meu.
Peguei uma sacolinha e coloquei uma caixa de suco (da moça) dentro.
E ela, com cara de assustada e desconfiada:
- Ei, isso é meu!
- É, eu sei. Só estou te ajudando.
- Ah tá! (meio sem jeito)
Continuei ajudando e ela foi embora, sem nem agradecer.

Não sei se estou exagerando, mas acho que as pessoas não estão mais acostumadas com uma gentileza. A falta de respeito e de educação já faz parte do nosso cotidiano.
Talvez se eu a tivesse ignorado, embalado só o que era meu e fosse embora, a moça nem teria me notado. Acharia tudo muito normal, infelizmente.
Mas não é esse o tipo de pessoa que eu sou, e não é esse o tipo de pessoa que pretendo ser.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Só uma coisinha!

Zapeando canais, paro no boletim daquele reality show global, No Limite.

Aí pergunto: "O que você seria capaz de fazer por dinheiro?"

Essa é só mais uma das constatações que provam a minha crença de que o ser humano é ridículo.
Pelo menos para mim.

Cometi o pecado de generalizar? Desculpem-me, mas sou contraditória. Ao mesmo tempo em que quero acreditar que a humanidade vale a pena, acho que tudo está, e sempre esteve, perdido.

E não tenho mais nada a dizer por agora. Isso tudo me cansa.
A falta de sentido me cansa. Demais.

sábado, 18 de julho de 2009

Alheia...

Nascemos, crescemos, evoluímos.
De bebês, nos tornamos crianças.
De crianças, pré-adolescentes.
De pré-adolescentes, finalmente adolescentes.
De adolescentes, jovens.
De jovens, adultos.
De adultos para a velhice.
...

A vida é uma grande evolução. Óbvio! E em todos os sentidos.
Evoluir implica crescimento, aprendizado, escolhas.

Agora que a maturidade bate a porta,
tento descobrir o que essa evolução toda significa.
Confesso não entender muito bem,
e na verdade acho que nunca vou entender.

Pois bem. Hoje conversei com uma amigo de longas datas,
um que faz parte da antiga turma, da qual tenho pouco contato atualmente.

Aí percebi algo que ainda não tinha me dado conta, felizmente, até então:
A opinião das pessoas sobre as minhas escolhas.

Vi em minha imaginação várias pessoas dizendo:
"O que a Samanta está fazendo? Se formou em Jornalismo e não está trabalhando na área"
"Escolheu errado, o diploma nem vale mais hoje em dia" (graças ao caríssimo ministro Gilmar Mendes)
"Se ferrou, agora quero só ver o que vai fazer".

Exagero? Não. Conheço bem.
Nem todas as pessoas torcem pelo nosso sucesso. Todos sabemos disso.

Mas constatei:
Eu me preocupo com o que quero pra mim e não me importo com pensamentos alheios.
Afinal, eu ainda não tinha pensado nisso tudo até então.

E o melhor ainda:
EU AMO O QUE EU FAÇO!
Ou melhor dizendo, na atual circunstância, eu amo o que escolhi ser.
Sendo certo, errado, fácil ou difícil.
E certamente, nada, nem algumas idéias contrárias, mudarão a minha certeza quanto a isto.
Nada melhor que o tempo para silenciar e acalentar...
Este mesmo tempo que nos obriga a evoluir.