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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A hora certa...

Domingo, véspera de feriado, hora do almoço. Fui até o supermercado fazer minhas compras dominicais como de praxe. E com a mesma constância a fila do caixa estava enorme. Eu sempre me pergunto por que é que deixo para fazer compras justo no horário que o lugar está mais cheio. Mas nunca encontro a resposta. No fim, acho que a grande maioria das pessoas acaba fazendo o mesmo.

Estava eu na fila, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao redor. Como são tão peculiares. Umas apressadas reclamam, outras fingem que não ouvem, outras dão um sorriso amarelo e desviam o olhar. Mas, em geral, guardam um olhar desconfiado e intolerante. 

Chegando a minha vez de passar pelo caixa percebi uma senhora atrás de mim e ofereci a ela que passasse antes de mim. Aparentava ter seus 70 e tantos anos. As rugas lhe marcavam a face, o cabelo tênue e alvo preso em um coque displicente, casaco surrado de lã, meias até o joelho e um olhar de gente sofrida que exalava experiência. Olhos que continham, quase imperceptível, um ar de ingenuidade senil, que só os que já atravessaram tantas fases da vida possuem.

Ao passar por mim, com o mesmo olhar me fitou e ela perguntou se eu era casada. Sorri e lhe respondi que não. Surpreendentemente ela também sorriu e disse eufórica: graças a Deus! E emendou: “um dia vai aparecer em sua vida alguém que vai te fazer feliz. Não vai ser qualquer um. Fique com aquele que realmente te fizer feliz. Eu tentei quatro vezes, mas nunca deixei de acreditar”.

Diante de suas afirmações só me restou concordar com a senhora do olhar sensato e experimentado. Não penso no motivo dela ter se dirigido a mim, até porque sei que eventos como este estão fora do alcance da compreensão, ainda que o assunto seja distante para mim.
Assim aquela senhorinha se foi, acompanhada de suas poucas compras e de muita vitalidade. E ao invés de um simples “obrigada” ela me agradeceu com sábias palavras...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Malandragem..

Era 7 horas da noite de uma sexta-feira santa. Há uma semana pra ser exata. Chuviscava.
Eu esperava o namorado vir me buscar, íamos sair com minhas amigas.
Como sempre fazia, desci no horário combinado e fiquei esperando na rua, em frente a escadaria do meu prédio.
Há pouco o porteiro estava ali na escada, fumando e conversando. Ele subiu, eu fiquei.

Passados alguns minutos de espera, eis que surge um rapaz. Parecia meio perdido. Sentou na escada próximo a mim.
Perguntou onde era a Avenida Brasil (para quem não conhece, esta avenida fica há poucas quadras da minha rua).
Expliquei onde era. Ele perguntou se eu estava esperando um ônibus, eu disse que não.
Houve mais alguma troca de palavras, que eu já não me lembro mais.

Levantou-se e ensaiou um comprimento de mão comigo.
"Toca aí pra aprender a malandragem" disse ele, e desceu a rua.
Após alguns passos, virou-se:
- Eu ia te roubar, mas não roubei porque você foi simpática. Fica esperta que você tá dando "fita" aí.

Fiquei branca, minha respiração parou. Olhava pra ele e nunca mais esquecerei a expressão que tinha aquele rosto.
Subi para a portaria e segundos depois o carro que eu esperava chegou.
Não acreditava no que havia acontecido. Eu, que já havia sido roubada outras vezes... tenho pavor desta situação.

Eu sei... eu deveria tomar mais cuidado. Este mundo é cruel e as pessoas são perversas. Salvo exceções, claro!

Mas de qualquer forma pensei bastante e me pergunto sempre: Ele não me roubou mesmo porque eu fui simpática? Se eu não tivesse respondido nada ele teria me roubado? Se eu tivesse tratado ele como marginal seria roubada? Como ele esperava que eu fosse reagir? Será que ele foi com a minha cara? Será que ele não queria mesmo me roubar? Será que ele teria me roubado se tivesse mesmo afim disso? Porque ele avisou que iria me roubar e depois deu um conselho?

Infelizmente não terei respostas para estas perguntas. A dúvida será uma amiga inquieta no meu subconsciente.
Por hora, vale ficar mais atenta e agradecer pela sorte estar ao meu lado...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Certezas e incertezas....

Mais uma peça que a vida me prega..
Essa vida, vou te contar viu.
Tão surpreendente, com seus casos e acasos.

Há quase 5 meses, poderia dizer que a minha vida estava um mar em preto e branco.
Sem sal, nem açúcar. É, bem sem graça.
Saia de um momento de superação e tentava me encontrar de novo.

Aí, o que era inesperado, aconteceu:
Me apaixonei. Acidentalmente apaixonada.
E aquele mar monótono se transformou em um oceano de cores.

Sentimentos que eu havia guardado a 7 chaves, ressurgiram.
Meteoricamente avassaladores!
E tudo estava indo bem, mesmo com todas as dúvidas que pairavam.
Porque eu acreditava. Havia me doado por inteira.

Até que em uma bela amanhã, as incertezas, os medos e as diferenças prevaleceram.
E tudo se exauriu...
Até minha alma se esvaziou.
E encontrei-me em um turbilhão de dor.

Três dias de sofrimento depois, um anjo caiu do céu (minha mãe).
E clareou meus cegos olhos ainda apaixonados.
E da mesma maneira que a dor veio, ela se foi.

O que me restou?
A certeza de ser uma pessoa abençoada.
Por saber viver a vida por inteiro.
Por estar cercada de pessoas que me amam.
Por ter um grande coração.
Enfim.... por ser Samanta.

Se valeu a pena?
Demais!
Agora sei que posso conviver com aqueles sentimentos antes esquecidos.

Parece que as incertezas cessaram....
Será?

PS: O Ai Que Ouro está completando 1 ano de vida!
Parabéns pra você!
Agradeço a todos que insistem em ler todas essas maluquices que escrevo!
Sei que tenho muito o que aprender ainda, na escrita e na vida!
Mas vocês fazem parte disso aqui! Smackão!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Muito provavelmente este é o primeiro furo de reportagem da minha vida.
É que acabo de presenciar mais um fato trágico na cidade de Campinas.
E acredito que nenhum veículo de comunicação tenha falado sobre o ocorrido ainda.

Por volta das 21:10 da noite desta segunda-feira (02), um homem supostamente cometeu suicídio na Avenida Francisco Glicério, no centro da cidade.
A vítima, segundo testemunhas, teria se jogado em baixo de um ônibus em movimento.

Estava eu em meu apartamento, lendo.
Quando, de repente ouço sirenes de ambulância e do carro da polícia..
Corro para a janela (a famosa) e vejo uma cena até então inédita pra mim:
Uma ambulância do SAMU, um carro da EMDEC e uma viatura policial atravessando a Glicério na contra-mão. Eles param em frente a um ponto de ônibus, próximo ao cruzamento com a Av. Benjamin Constant.

O que seria?
Saco do meu binóculo Made in China e tento entender o que tudo significava.
Em poucos segundos mais viaturas chegam, e também o Corpo de Bombeiros.
Uma faixa da rua é interditada e um burburinho de socorristas e policiais cercam o local.

Vejo vagamente um pano branco ser estendido no chão.
Sem pensar, corro porta afora para ver de perto o que está havendo lá em baixo.

Aproximo-me do local que se enche de curiosos (como eu).
O ônibus ainda está parado na faixa direita, ao lado do ponto.
Amarelinhos apitam incessantemente para os carros circularem.

Chego perto de um grupo de pessoas, ainda meio perplexas, e pergunto o que houve.
- "Um homem estava no ponto de ônibus e se jogou em baixo das rodas traseiras do veículo."
Penso na mesma hora que, se for mesmo suicídio, será o segundo que vejo em menos de um mês.
O outro foi em meados de fevereiro, quando um rapaz se atirou da ponte da Av. Barão de Itapura.

Passo perto de policias e os escuto comentarem que se trata de um homem.
Tinha 35 anos, 85 quilos.
Quem será? Porquê?

Continuo caminhando e chego finalmente ao local onde está estendido o tecido branco, bem ao lado da calçada.
No chão, um rastro de sangue.
Olho para o cadáver que aquele pedaço de pano tenta esconder.
Vejo as pernas e os cabelos emaranhados de alguém que, há poucos minutos, fazia parte deste nosso mundo dos vivos.

Não me recordo de ter visto um corpo tão de perto assim. (salvo em velórios)
Em uma fração de segundos passam muitas questões pela minha mente.
Mais uma vida que se acaba. Onde estará ele agora?

Acordo com um policial gritando para nos afastarmos de lá.
Deixo o local entre pensamentos e um embrulho no estômago.

Atravesso a rua e entro na padaria para comprar um sorvete.
Pergunto para a dona se tinha visto o que aconteceu.
Ela me conta que foi a primeira a socorrer o homem, na esperança de encontrá-lo ainda com vida.
Mas na hora em que chegou, ele já tinha ido desta pra outra. Melhor ou pior.

Desculpe-me, caro amigo leitor, a minha presunção inicial. Este texto não chega nem aos pés de uma matéria digna de um furo de reportagem.
Esta mais para uma nota não-oficial.

Não me importo. Este é um blog sobre minhas percepções, não um blog informativo.
Posso não ter dados sobre a vítima, nem fontes para relatar o ocorrido, nem fotos.

Mas tenho o que meus olhos viram, meus ouvidos ouviram e o que meu coração sentiu..
E me sinto grata por fazer parte deste mundo, junto de vocês...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Críticas desconstrutivas!

Eu falei hoje para amigos que precisava e ia escrever no blog!
Abri minha caixa de emails e descobri que um assunto caiu do céu! Porque o email que recebi vale um post!

Pra entender:
Um cara veio conversar comigo hoje a tarde no MSN.
Chamar aquilo de conversa é exagero, porque na verdade ele veio falar que queria me conhecer e com uns assuntos do tipo "quero você gata", "sou o gostosão", "estou carente", "quer uma massagem?".
E não tem coisa que eu odeie mais do que esses papos bestas.

Obviamente eu fui seca e grossa com o ser, como eu sou sempre quando me vem com essas tolices.
O cara achou ruim, me xingou e pediu pra eu excluir e bloquea-lo
Ótimo., pois não. Na hora bloqueei e fechei a janela. E esqueci do acontecido.

E como eu contava antes.. abri minha caixa de entrada agora a noite e vi um email com o seguinte assunto "Ai que ouro de tolo".
Era o mesmo cara perdendo o seu precioso tempo lendo meu blog e me mandando um email me xingando.

O conteúdo:
"Eu pedi para vc me excluir da sua lista de contatos, não tem nem capacidade para fazer isso... caipira não entende de tecnologia é uma merda! Como você quer ser jornalista se não consegue nem se comunicar no msn? Sem noção você.. Que bosta de blog é este que vc tem? Ai que ouro de tolo! pelo que percebi você tem uma idéia muito fraca, por isso agride os outros.. O universo não gira em torno do seu umbigo, novata."

Vamos dar espaço para as críticas negativas também né?
Sou democrática! (risos)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Dia de festa!

Quinta feira foi um dia especial.
Como a muito tempo não via igual.
Escolhi comemorar meu aniversário em um happy hour aqui em Campinas, que também é uma baladinha.

Chamei um moooonte de amigos. E claro, apenas uns 15 apareceram.
Mas estes, valeram por mil. Pessoas pra lá de especiais, e por uma feliz coincidência, até gente de fora compareceu.

Para todos os amigos que por algum motivo não puderam ir, não me levem a mal pelas poucas linhas que aqui me digno a escrever.
Pois os que não estavam lá também são MUITO especiais.

De volta ao happy hour.
Em pauta, a conversa mais inevitável entre nós, jornalistas recém formados.
Só aquela velha angústia de não saber o que vai ser daqui pra frente.
Mas o principal ali era rever os amigos e se divertir!

Chopps (muitos)! Comidinhas! Caipirinhas (ruim)!
Aí já viu. Só alegria.

Cadê a Samanta que não volta do banheiro?
Está conversando com a funcionária que lá fica, sobre a maternidade!
Ela está grávida de 5 meses!
Esses instintos maternais viu..

Durante a festa, amigos que não puderam entrar, foram até a porta me dar um beijo.
Não me esquecerei do afeto!

O happy hour acaba, a diversão só está começando!
E lá vem o bolo e a hora de cantar parabéns!
Cadê a Samanta? Tá no banheiro, de novo, pra variar. Mas chega a tempo da cantoria.

Hora do discursoo!
"Nestes 6 anos vocês fazem parte das pessoas mais especiais que conheci. Fico muito feliz por estarem do meu lado nesta nova fase da vida e não vivo sem vocês."
Tá. Nesta altura não consigo me recordar se foram estas exatas palavras, mas a intenção era.

Tintimmmmm. Um brinde aos meus amigos que amo!
Com direito a abraço coletivo.

Mais amigos chegando, só que não entraram.
Porquê? Por causa que um deles não estava com calça adequada ao estabelecimento.
Sem comentários.

Enquanto isso, nós todos, lá na pista, dançando ao som do DJ.
Muita risada. Tombos federais.
Eu descalça. Beijos. Mais risadas.

Chega ao fim a festa, mas a noite não acaba por aí.

Como se não bastasse, fomos parar em um barzinho de Barão Geraldo.
Sim meu caro, aquele famoso bar onde tive problemas com a comanda.
Mas foi divertido de qualquer forma.

Conversas, cerveja, música.
Eu e minha amiga querendo ir embora para a guerra!
Vê se pode!

E a noite acaba assim, chego em casa de madrugada, exausta.
Mas logo penso:
Como uma noite qualquer pode se tornar tão especial quando se está cercado de amigos.
Impagável.