segunda-feira, 6 de julho de 2009

Da terra do nunca..

E já vamos para a segunda semana sem Michael Jackson.
Desde a sua morte (25/06) até hoje já foram 11 dias e duvido que alguém passou apenas um dia sequer sem ouvir o seu nome, ou ao menos sem ouvir uma música do astro.
Inclusive eu, neste exato momento, estou com a famosa "Thriller" na cabeça, que me levou a escrever esse post.

Mas não vim até aqui para elogiá-lo. Todos já sabem do que ele era capaz como artista e a sua fama e talento são indescútiveis.
Porém, quero falar sobre algo que me incomoda:
A cobertura da mídia e a reação das pessoas ao redor do mundo.

Eu, que mal assisto televisão, já não tenho mais paciência para ver agora. Uma "zapeada" rápida e pelo menos um canal está passando algo sobre Michael.
Um mostra a entrevista de quando foi acusado de pedofilia:
- Eu só levava as crianças para brincarem em Neverland, dava leite quente pra elas e dormíamos todos juntos. Tudo na inocência.
Outro canal, outra entrevista:
- Meu pai me bateu muito quando era pequeno. Odeio ele.
A mais recente matéria que vi foi como era a tão famosa mansão Neverland do ícone pop mundial.
Sem contar outros assuntos como a briga pra ver quem fica com a inestimável herança ou com a guarda dos filhos, qual é a dívida que ele deixou, imagens do último ensaio, amigos, parentes, doença, pedofilia, plásticas, drogas, colegas, velório, ingressos... UFA! É papo pra mais de metro!
Ah, e tem também os momentos "vamos relembrar os clips", em que assistimos a Black and White, Thriller, e por aí vai.
Os jornalistas já não sabem mais de onde tirar novidades sobre o assunto e a cobertura se transformou em algo muito presente no jornalismo de hoje: a espetacularização.
Até a morte de Michael Jackson é um show, que dá IBOPE, mobiliza as massas e dá lucro para os veículos de comunicação. Então vale a pena tudo!
Não me espantarei se daqui a alguns dias eu fique sabendo até a marca da fralda (?) que ele usava.

Atentemos para outro fato - o boom de fãs de Michael.
Eu com minhas 23 primaveras lembro, quando pequena, de um cara negro que ficou branco, que fez um clip com um monte de zumbis e que dançava como que flutuando.
Depois de 11 anos sem shows, o que soube dele durante esse tempo foram as acusações de pedofilia, do filho na sacada, da "falência" e só. Nada de muito engrandecedor.
Só que após a morte do cantor, milhares e milhares de fãs pipocaram por todo o planeta.
Por exemplo. Segundo a Veja, só nos EUA foram vendidas mais de 422 mil cópias - mais que o total de discos vendidos nos últimos 11 anos.
Aqui no Brasil o estoque de 20 mil cds esgotou-se.

Ouço nas ruas e nas conversas cotidianas as pessoas dizendo "tadinho dele", "ah, gostava tanto dele", "baixei todos os cds no meu computador". Só que antes de Michael morrer, ninguém mal lembrava de sua existência. Salvo os fãs.

Agora vamos ver até onde essa onda "michaeljacksoniana" vai e até quando vai durar.

Que me desculpem os verdadeiros fãs, porque como já disse antes, ele era um baita artista.
E bem na hora de sua morte, voltou a ser o que era antes, um ícone pop.
Mas, de qualquer forma, cansei MJ!

4 comentários:

marina aranha disse...

Ícone pop.
Essa expressão me diz muita coisa!

Saudade, Jones!
Um beijo!

Flávio Hussar disse...

Quando vi no seu MSN "Sobre Michael Jackson" saberia que eu ia ler algo completamente diferente dessa encheção de saco da televisão, aqui. Sinceramente? Parece que os mesmos que cruscificavam esse cara ans atras, hoje estão "homenageando essa grande figura" As atrocidades cometida por esse racista (pra mim ele eh racista, renegou a propria cor, se fosse virtiliguo mesmo, ele se "pintava" de negro), foram terminamente esquecidas, só porque ele morreu, agora como você mesma disse, as pessoas "ai coitado"... Hipocresia humana me tira do sério ! Bjos Samanta, excelente e inteligente post !

Rafael Melo disse...

E eu vendo Michael Jackson que nem sombrinha do chinês em dia de chuva inesperada.

Anônimo disse...

MJ foi tarde !!!
Pedófilo e cheio de dívidas !!
Um sem vergonha !!
[]'s