segunda-feira, 2 de março de 2009

Muito provavelmente este é o primeiro furo de reportagem da minha vida.
É que acabo de presenciar mais um fato trágico na cidade de Campinas.
E acredito que nenhum veículo de comunicação tenha falado sobre o ocorrido ainda.

Por volta das 21:10 da noite desta segunda-feira (02), um homem supostamente cometeu suicídio na Avenida Francisco Glicério, no centro da cidade.
A vítima, segundo testemunhas, teria se jogado em baixo de um ônibus em movimento.

Estava eu em meu apartamento, lendo.
Quando, de repente ouço sirenes de ambulância e do carro da polícia..
Corro para a janela (a famosa) e vejo uma cena até então inédita pra mim:
Uma ambulância do SAMU, um carro da EMDEC e uma viatura policial atravessando a Glicério na contra-mão. Eles param em frente a um ponto de ônibus, próximo ao cruzamento com a Av. Benjamin Constant.

O que seria?
Saco do meu binóculo Made in China e tento entender o que tudo significava.
Em poucos segundos mais viaturas chegam, e também o Corpo de Bombeiros.
Uma faixa da rua é interditada e um burburinho de socorristas e policiais cercam o local.

Vejo vagamente um pano branco ser estendido no chão.
Sem pensar, corro porta afora para ver de perto o que está havendo lá em baixo.

Aproximo-me do local que se enche de curiosos (como eu).
O ônibus ainda está parado na faixa direita, ao lado do ponto.
Amarelinhos apitam incessantemente para os carros circularem.

Chego perto de um grupo de pessoas, ainda meio perplexas, e pergunto o que houve.
- "Um homem estava no ponto de ônibus e se jogou em baixo das rodas traseiras do veículo."
Penso na mesma hora que, se for mesmo suicídio, será o segundo que vejo em menos de um mês.
O outro foi em meados de fevereiro, quando um rapaz se atirou da ponte da Av. Barão de Itapura.

Passo perto de policias e os escuto comentarem que se trata de um homem.
Tinha 35 anos, 85 quilos.
Quem será? Porquê?

Continuo caminhando e chego finalmente ao local onde está estendido o tecido branco, bem ao lado da calçada.
No chão, um rastro de sangue.
Olho para o cadáver que aquele pedaço de pano tenta esconder.
Vejo as pernas e os cabelos emaranhados de alguém que, há poucos minutos, fazia parte deste nosso mundo dos vivos.

Não me recordo de ter visto um corpo tão de perto assim. (salvo em velórios)
Em uma fração de segundos passam muitas questões pela minha mente.
Mais uma vida que se acaba. Onde estará ele agora?

Acordo com um policial gritando para nos afastarmos de lá.
Deixo o local entre pensamentos e um embrulho no estômago.

Atravesso a rua e entro na padaria para comprar um sorvete.
Pergunto para a dona se tinha visto o que aconteceu.
Ela me conta que foi a primeira a socorrer o homem, na esperança de encontrá-lo ainda com vida.
Mas na hora em que chegou, ele já tinha ido desta pra outra. Melhor ou pior.

Desculpe-me, caro amigo leitor, a minha presunção inicial. Este texto não chega nem aos pés de uma matéria digna de um furo de reportagem.
Esta mais para uma nota não-oficial.

Não me importo. Este é um blog sobre minhas percepções, não um blog informativo.
Posso não ter dados sobre a vítima, nem fontes para relatar o ocorrido, nem fotos.

Mas tenho o que meus olhos viram, meus ouvidos ouviram e o que meu coração sentiu..
E me sinto grata por fazer parte deste mundo, junto de vocês...

7 comentários:

Ju Damante disse...

Sá...

Que horror....eu enquanto lia seu post fui agonizando...
eu nunca me dei bem com essas situações...do tipo movimento, sangue, morte. Talvez não tenha sangue o suficiente para achar isso natural...meu estômago tb borbulha. Na verdade, pior ainda quando a pessoa escolhe...credo...

É...janela...janela do mundo...
às vezes o céu está azul....às vezes chega a tempestade...


beijos

Rafael Melo disse...

Sá! Eu ouvi todo este fuá, mas não me movimentei até a janela. Infelizmente diante da morte é que nós paramos para pensar na vida. Não sei o que eu estou agora. Triste?

marina aranha disse...

Que orgulho da sua apuração, Jones!
(;

Paulo Rodrigues disse...

:(... O mundo tá em guerra e muitos não suportam a pressão. É um querendo passar por cima do outro, outro querendo mais do que precisa e assim vai. Até quando é que eu não sei.
Tirar a vida é um ato de dessespero tão grande por conta dos dias de hoje, que já nem sei se ainda deveria ser considerado pecado.
Que esse sujeito encontre o perdão divino e encontre também a paz que com certeza não tinha aqui.
bjs

Samanta C. disse...

É pessoal. Como disse a mente ruiva de Rafinha, a gente só para pra pensar na vida, qdo nos deparamos com a morte.

Como é bom estar vivona!
Como é bom ter a oportunidade de conhecer pessoas como vocês.

E é por isso que acho que a felicidade está bem perto, dentro de nós mesmos.
E sermos gratos por estarmos vivos, por termos saúde e pessoas que valem a pena ao nosso lado, é um bom jeito de chegar até ela.

Amo vocês muito!
Bjomeliguem!

Anônimo disse...

Olá!!! Achei seu blog no famoso"tô vivona".

Afff, que coisa horrível mesmo... haja coragem pra decidir em tirar a própria vida; momento de extremo desespero... que tenha paz!!!

bjuss Sá... qdo puder dá uma espiada no meu

http://robertaaccardo.blogspot.com

Thiago Rovêdo disse...

Sahh..
o cara que pulou da ponte era brother..não tão próximo, mas eu conhecia..olha heim!!!!
mas lanço a polêmica: Quem disse que não devemos escolher a nossa morte? será o suícidio uma coisa tão ruim assim mesmo?